sábado, 14 de janeiro de 2012

ATIVISTAS QUEREM FIM DA PECUÁRIA DE BÍLIS EM URSOS NA CHINA


Segundo os protestantes, o produto pode ser prejudicial para a saúde humana


Ativistas britânicos se uniram com praticantes da medicina tradicional chinesa nesta segunda-feira (9), para exigir o fim da extração da bílis (líquido produzido pelo fígado) em ursos agrícolas, que eles consideram cruel e perigosa, segundo o jornal The Guardian. 

A nova campanha contra a prática atinge as empresas farmacêuticas, a exemplo da Kaibao, que fazem remédios contra a febre a partir da bílis extraída de furos feitos nos corpos de milhares de ursos enjaulados. 

A técnica de retirada da bílis é aprovada pelo governo chinês, mas segundo os ativistas ela atinge o bem-estar dos animais e o produto pode ser prejudicial para a saúde humana. Eles afirmaram que existem alternativas mais seguras e mais humanas. Cientistas chineses estudam substitutos sintéticos a mais de 30 anos e já realizaram testes de campo, mas o Ministério da Saúde ainda não quer conceder a autorização para uso comercial. 

O professor de medicina da Universidade Capital e ex-membro da avaliação do Ministério da Saúde, Gao Yimin, destacou ao The Guardian que os materiais sintéticos foram tão eficazes como a bílis e muito mais seguros. 

- Para extrair o fel, introduzem bactérias infecciosas potenciais nos ursos. Esta técnica na verdade, reduz a eficácia do fel e é prejudicial para a saúde humana - observou o especialista em um evento para campanha da cura sem danos na indústria de bílis, em Pequim. 

A comercialização da bílis 

O número de fazendas que trabalham com a extração de bílis em ursos está estimado em 96, a maioria no Nordeste, que contém entre 10.000 e 20.000 animais. Cada uma produz por ano 3 kg da substância, que chega a custar cerca de R$ 2.600,00 a preços de atacado, e muito mais no final de venda aos consumidores e hospitais. 

Segundo os ativistas, este é um negócio lucrativo para os agricultores e as empresas farmacêuticas em Xangai. 

O material é utilizado na fabricação de medicamentos a exemplo do “Tanreqin”, que é prescrito por médicos chineses para reduzir febres em crianças. Existem cerca de 241 outros tipos de medicamentos feitos a partir da bílis, que fazem parte da farmacopéia chinesa a mais de 1.400 anos. 

Segundo os grupos de bem-estar animal, a industrialização dos medicamentos é na verdade um perigo para a saúde. Toby Zhang, diretor de assuntos externos da ONG, relatou que estudos científicos descobriram que 100% dos ursos de viveiro sofriam de infecções e outras doenças, apesar de serem bombardeados de antibióticos. 

Ele acrescentou que mais de um terço dos animais resgatados de fazendas morreram de câncer no fígado, levando a alertas de que sua bílis pode conter substâncias cancerígenas. 

Quarenta farmácias em Chengdu e Shenyang já aderiram a campanha e afirmaram que não vão mais estocar bílis de urso em prol da segurança de seus clientes. 

Os ativistas explicam que este é apenas o começo de uma ínfima parte das milhares de drogarias na China, mas que já é um sinal de progresso.
- É um grande passo à frente para ter o apoio de alguns praticantes da medicina chinesa tradicional, que aceitam que as técnicas atuais não comprometem apenas a saúde dos ursos, mas dos consumidores - ressaltou Jill Robinson, o fundador da Animals Asia que está na campanha desde 1995. 

- O que há de novo é o conhecimento sobre os riscos. Estamos trabalhando com mais médicos, mais celebridades, mais escolas para difundir a mensagem. Nós não vamos desistir - concluiu Robinson. 

No entanto, não existem indicações que o governo pode abandonar o seu apoio aos agricultores, que definem suas técnicas como indolores. Para os ativistas, as autoridades podem estar preocupadas com os custos de fechamento da indústria, o que exigiria compensação para os proprietários, empregos alternativos para os trabalhadores e um programa de abrigos ou eutanásia em massa para mais de 10.000 ursos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário